Inflação em Angola pode superar 20% este ano devido aos “custos estruturais”

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O economista angolano Wilson Chimoco disse hoje que a inflação no país, que em novembro voltou a acelerar para 18,19% em termos homólogos, deverá fechar o ano acima dos 20%, em resultado dos “custos estruturais” da economia angolana.

De acordo com o especialista, erros de previsão e a efetividade da estratégia de combate à inflação concorreram para a aceleração da inflação em novembro passado, quer na variação mensal (2,1%) e homóloga (18,19%).

“Quanto ao erro de previsão, se comparada com as previsões do Governo de 17% e do Banco Nacional de Angola (BNA) de 19,5% de inflação de final de período, com os números de novembro, a conclusão que se pode chegar é que houve subestimação, mais da parte do Governo do que do BNA, uma vez que com estes números a inflação deverá fechar o ano acima dos 20%”, afirmou.

Em declarações à Lusa, o economista considerou que os efeitos imediatos do aumento expressivo dos preços, que se verificam em Angola, “é exatamente na redução da capacidade das famílias em manter o seu nível de consumo”.

“Uma vez que infelizmente o aumento dos preços em Angola não é acompanhado de forma proporcional do aumento dos salários das famílias, logo estamos a dizer que dificilmente as famílias vão conseguir o padrão de consumo que têm vindo a ter em função deste aumento dos preços”, argumentou.

Para as empresas “geralmente é confrangedor (a inflação), porque o processo de ajuste de preços impõe também custos para estas na alteração de um conjunto de mecanismos internos, alterações de catálogos, alterações de contratos”, apontou.

Os preços em Angola registaram uma subida de 18,19% em novembro face ao período homólogo do ano passado, subindo 2,1% face aos valores de outubro, anunciou na quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano.

O relatório do INE refere que a classe da alimentação e bebidas não alcoólicas “foi a que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços, com 1,53 pontos percentuais durante o mês de novembro”.

“É facto e é indiscutível que o problema da inflação em Angola é muito por conta dos custos estruturais da própria economia, estamos a dizer que há um conjunto de desafios”, salientou Wilson Chimoco.

O economista apontou os custos com transportes, com a logística, com a produção dos bens em Angola e também da importação como fatores que “têm penalizado drasticamente” a evolução dos preços no país.

Defendeu a definição de um conjunto de medidas para a redução dos “custos estruturais” da economia do país, a redução da burocracia, a melhoria do ambiente de negócios, o investimento contínuo nas infraestruturas de transporte e logística.

Chicomo elencou ainda o investimento no capital humano como fator determinante e para a evolução das economias.

“Porque pessoas com pouca formação em lidar com a tecnologia à disposição, dificilmente vamos conseguir produzir a preços cada vez mais competitivos e que sejam capazes de transformar a questão da inflação na nossa economia”, alertou o economista angolano.

Lusa, 14/12/2023