Importância global do Estreito de Ormuz – Rui Patrício

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O Estreito de Ormuz tem funcionado como ponte diplomática entre o Irão e os Estados Unidos no que concerne a cessar fogo, mas qual o motivo de da sua relevância?

O Estreito de Ormuz situa-se entre o Irão e Omã, liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e é um dos pontos geográficos estratégicos para o comércio mundial.

Desempenha um papel fundamental no mercado mundial da energia devido à quantidade de petróleo e gás que por ele passa. Em 2024 e no primeiro trimestre de 2025, um quinto do consumo mundial de petróleo e produtos petrolíferos, bem como de gás natural, passou por ele, de acordo com a Administração de Energia dos EUA.

A Arábia Saudita, o Irão, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Iraque – todos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) – exportam a maior parte do seu petróleo através das águas do estreito.

Enquanto a Arábia Saudita transporta a maior parte do petróleo e dos condensados – uma mistura gasosa mais leve e mais volátil que o petróleo bruto – através do estreito, o Qatar exporta a maior parte do gás natural liquefeito a nível mundial.

Estima-se que 84% do petróleo e 83% do gás natural que passaram pelo estreito em 2024 foram encaminhados para os mercados asiáticos.

A China, a Índia, o Japão e a Coreia do Sul foram os principais destinos do petróleo que passou pelo estreito, representando um total de 69% de todos os fluxos de petróleo bruto e condensado de Ormuz em 2024.

Embora a Europa esteja menos dependente dos recursos energéticos que passam pelo Estreito de Ormuz, poderá ainda assim enfrentar repercussões devastadoras decorrentes do aumento dos custos globais do petróleo e do gás se o Irão fechar o estreito.

Não é possível prever quanto tempo vai durar o bloqueio, mas já está a afetar o preço do petróleo, do gás natural, os custos do transporte marítimo e das viagens. Se se prolongar, vai significar o aumento do preço da energia, ou seja, da eletricidade, o aumento dos combustíveis, dos alimentos e outros bens e serviços. Além disso, há o risco da subida da inflação e das taxas de juro dos bancos centrais, o que afeta os créditos à habitação.

Os políticos mundiais em alternativa a este impasse deveriam idealizar estrategicamente um “plano B”, por exemplo com novas possíveis rotas.

Exemplificando, os Emirados criaram um oleoduto ligado ao terminal de Fujairah, no Golfo de Omã, que permite transportar até três quartos da produção de petróleo, que equivale a 10% do tráfego petrolífero do estreito e têm ainda uma ligação direta ao Qatar através do gasoduto Dolphin.

Do lado do Irão também existem alternativas através do oleoduto Goreh-Jask inaugurado em
2021.

No entanto, todas estas opções juntas não conseguem substituir o estreito de Ormuz, mas
podem reduzir o impacto na economia global.

A economia mundial não poderá depender da convergência diplomática de alguns países, mas procurar alternativas válidas para situações que o direito internacional não foi aplicado.

E este papel é especificamente do poder político.

Docente Universitário

Consultor Financeiro

rui.patricio@singularway.com 

16/05/2026