Grupo Carrinho reforça influência no BFA e prepara aumento da participação

Em parceria com a Empresa SEATAG

Imagem: DR

Com direito à indicação de apenas um administrador, grupo benguelense conta com dois administradores executivos para salvaguardar os seus interesses no BFA. Aumento de capital passa pelo mercado secundário e venda das acções do português BPI.

Menos de um ano depois de entrar, de forma indirecta, na estrutura accionista do Banco de Fomento Angola (BFA), o Grupo Carrinho consolidou a sua influência na instituição, conseguindo ver representados nos órgãos de gestão dois administradores alinhados com os seus interesses e preparando-se para reforçar a participação accionista no banco.

Tal como o Valor Económico antecipou no início do ano, apesar das sucessivas negociações do grupo empresarial, acabou por se concretizar a saída da então administradora financeira, Francisca Costa, e a entrada do português João Gonçalo Lourenço de Jesus para o cargo de administrador financeiro.

João Gonçalo Lourenço de Jesus desempenhava funções de assessor do conselho de administração do Banco de Comércio e Indústria (BCI) desde que o Grupo Carrinho assumiu o controlo daquela instituição bancária.

Embora o grupo tivesse legitimidade para indicar apenas um administrador, fontes ligadas ao processo afirmam que também influenciou a escolha de um segundo membro da comissão executiva. Trata-se de Nelson Rodera Monteiro, que até à nomeação exercia as funções de administrador executivo do Banco Keve, instituição igualmente controlada pelo conglomerado empresarial.

Segundo fontes do sector financeiro, a presença destes dois administradores reforça a capacidade de influência do grupo nas decisões estratégicas do banco, numa altura em que a Carrinho continua a avaliar formas de aumentar a sua presença accionista na instituição.

Para evitar uma situação de concentração no sistema financeiro, tendo em conta que já detém posições de controlo em outras instituições bancárias, além de interesses no sector segurador e da intermediação de valores mobiliários, o grupo procedeu à transferência da sua participação no BFA para o Fundo Especial de Investimento em Valores Mobiliários Fechado de Acções, de Subscrição Particular (AXIOS), e para o Fundo Especial de Investimento em Valores Mobiliários Fechado (ASSET).

Com esta estrutura, o veículo de investimento que integra a Congolian Financial passou a controlar 9,85% das acções do BFA.

De acordo com fontes próximas do grupo, a estratégia passa agora por aumentar a participação accionista através da aquisição de novas acções. Uma das hipóteses em análise será a compra de parte da posição detida pelo BPI, actualmente com 33,35% do capital, caso o CaixaBank avance com uma eventual alienação da participação durante o presente exercício.

As mesmas fontes sustentam que esta via seria financeiramente mais atractiva do que a aquisição de títulos dispersos no mercado secundário. Contudo, fontes do mercado consultadas pelo Valor Económico defendem que um eventual reforço da posição da Carrinho deverá ocorrer precisamente através da compra de acções actualmente dispersas entre investidores privados.

Actualmente, a estrutura accionista do BFA é liderada pela Unitel, com 36,9% do capital, seguida pelo BPI, com 33,35%. Os restantes 19,90% encontram-se distribuídos por outros accionistas.

Jornal Valor Económico, 06/10/2026