El Niño ameaça época agrícola e INAMET alerta para chuva acima da média no litoral

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Instituto prevê seca moderada a severa no Sul e Sudeste e excesso de precipitação nas províncias costeiras entre Janeiro e Março de 2027

O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) prevê a ocorrência de seca no sul e sudeste de Angola e de excesso de chuva no litoral do país durante a época chuvosa 2026/2027, em consequência dos fenómenos El Niño e do Índice do Atlântico Sul Tropical (TSA). Segundo o Boletim n.º 01 da Época Chuvosa, citado pela Lusa, estes fenómenos climáticos de escala mundial influenciam as condições oceano-atmosfera no território nacional. A época chuvosa começou oficialmente a 15 de Agosto e decorre até 15 de Maio de 2027.

O impacto mais forte está previsto para o trimestre de Janeiro a Março de 2027, período que o INAMET antecipa vir a dividir o país em dois cenários distintos. Para essa fase, o instituto aponta seca meteorológica moderada e severa nas províncias da Lunda Sul, Moxico, Moxico Leste, Cuando, em grande parte do Cunene e do Cubango, no leste da Lunda Norte e no extremo nordeste do Bié. Em contrapartida, prevê-se chuva acima da normal em Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Icolo e Bengo, Benguela, Uíge, Cuanza Norte, Cuanza Sul e Huíla, bem como no norte e leste do Namibe e no extremo sudoeste do Huambo.

Para o trimestre de Outubro a Dezembro de 2026, o documento prevê seca moderada no Cunene, Cuando Cubango e no sul das províncias do Moxico e Moxico Leste, e precipitação acima do normal nas regiões Norte e Litoral. De acordo com o INAMET, o excesso de chuva nas zonas costeiras resulta da conjugação do El Niño com o Atlântico Sul Tropical numa fase positiva mais intensa, cenário que favorece a precipitação no litoral. A influência do TSA deverá fazer-se sentir sobretudo no final do próximo trimestre e ao longo de todo o primeiro trimestre de 2027.

O alerta chega numa altura em que a comunidade científica internacional avalia o custo humano daquele que é considerado um “Super El Niño”. Estimativas do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, citadas pelo Novo Jornal, apontam para pelo menos 451 mil mortes adicionais no mundo entre Junho de 2026 e Fevereiro de 2027 em resultado do calor extremo associado ao fenómeno, com impactos significativos não apenas nas geografias mais pobres, mas também em países de rendimento elevado. O INAMET recomenda aos cidadãos um acompanhamento permanente das previsões, anunciando nova actualização para a segunda quinzena de Novembro, e apela a que a população se cinja às informações meteorológicas e climáticas por si divulgadas, na qualidade de entidade responsável pela pesquisa e prestação de serviço científico nos domínios da meteorologia e climatologia.

25/09/2026