Grupo Carrinho reforça domínio da banca angolana com compra da posição do BPI no BFA

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O grupo Carrinho, liderado por Nelson Carrinho, passou a controlar três dos principais bancos comerciais de Angola depois de a sua empresa Congolian Financial SA (CFSA) ter adquirido a participação de 33,35% que o BPI detinha no Banco de Fomento Angola (BFA), correspondente a 5.002.500 acções.

Com este negócio, o BFA junta-se ao Banco de Comércio e Indústria (BCI) e ao Keve na carteira financeira do grupo, sedeado em Benguela, consolidando-o como o mais influente accionista privado da banca angolana.

Segundo comunicado do Banco Português de Investimento, citado pela imprensa lusa, o preço acordado ronda os 388,5 milhões de euros, repartidos por uma tranche fixa de 345 milhões de euros, a pagar na data da transacção assim que se verifiquem as condições suspensivas; uma tranche fixa diferida de cerca de 43,5 milhões de euros, prevista para 2027; e uma tranche variável correspondente a metade do dividendo do BFA de 2026 atribuído a estas acções. A concretização do negócio fica ainda dependente das autorizações legais das autoridades competentes, avança o Observador.

Refira-se que a CFSA já era accionista de referência do BFA desde a entrada em bolsa da instituição, em 2025, com 7,61% do capital, segundo o jornal Eco.

Nascido de um pequeno negócio familiar erguido pela matriarca Leonor Carrinho no Lobito, o grupo Carrinho apresenta-se hoje, na sua página oficial, como “uma empresa familiar angolana empenhada em desenvolver a primeira estrutura organizacional verticalmente integrada do sector alimentar, gerindo todas as etapas do processo: a originação, o transporte, o armazenamento, a transformação e a comercialização”.

Com mais de 60 pontos de venda sob as marcas Eskebras e Bem Barato e 19 unidades industriais espalhadas por seis províncias, o conglomerado do agro-negócio soube transformar o músculo financeiro acumulado no sector alimentar numa entrada firme na banca nacional.

Essa incursão financeira começou em 2021, com a compra do BCI por cerca de 30 milhões de dólares, prosseguiu com a aquisição do Keve — negócio já validado pela Autoridade Reguladora da Concorrência angolana — e atinge agora o seu ponto mais alto com a chegada ao capital do BFA, um dos maiores bancos do país.

A operação tem sido acompanhada com atenção por analistas e órgãos de comunicação angolanos, que apontam para uma concentração cada vez maior de poder económico nas mãos do grupo liderado por Nelson Carrinho.

Com a saída do BPI de Angola praticamente confirmada, resta agora aguardar pelo desfecho das autorizações regulatórias para que o Grupo Carrinho assuma, de forma efectiva, o controlo accionista de três das mais relevantes instituições bancárias do país — um marco que consolida a passagem do grupo de gigante do agro-negócio a peso pesado incontornável do sistema financeiro angolano.

09/03/2026