Governo admite que dificuldades financeiras da Sonangol estão a travar o abastecimento de combustível

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Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás reconhece “situação preocupante” e crise nas bombas

O Governo angolano admitiu esta quinta-feira que a petrolífera estatal Sonangol enfrenta dificuldades financeiras para assegurar o abastecimento de combustível ao país, num quadro que o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, classificou como uma “situação preocupante”.

O responsável falava em Luanda, no Fórum das Mulheres no Sector de Oil & Gás, em declarações citadas pela Rádio Nacional de Angola.

“Estamos com uma crise”

“Estamos com uma crise, pouco combustível no país”, afirmou o ministro, apontando o aumento do consumo interno, a subida dos preços no mercado internacional e a escassez do produto como factores da actual ruptura.

Diamantino Azevedo sublinhou que “hoje o país está todo preocupado com a situação do combustível” e garantiu que o problema está a ser resolvido, associando ainda às dificuldades de tesouraria da Sonangol constrangimentos de ordem logística.

O governante destacou que Angola é actualmente o quarto país africano com os preços dos derivados do petróleo mais baixos, argumento que o Executivo tem usado para justificar a redução gradual das subvenções.

A conta que a Sonangol não consegue pagar

O reconhecimento público de que a empresa não tem meios financeiros para garantir as importações coloca de novo em evidência o problema estrutural das contas da petrolífera nacional.

A Sonangol importa os derivados pagando em divisas e vende-os no mercado interno em kwanzas, a preços administrados abaixo do custo de aquisição — um desequilíbrio que se acumula no balanço da empresa a cada carregamento descarregado nos portos angolanos.

O próprio Diamantino Azevedo revelou, em Julho de 2025, que a empresa mantinha uma dívida à banca superior a sete mil milhões de dólares relacionada com combustível, situação que então descreveu como insustentável ao defender a retirada progressiva dos subsídios. Segundo o ministro, as subvenções custaram ao Estado cerca de três mil milhões de dólares num só ano e beneficiam indistintamente quem precisa e quem não precisa, alimentando ainda o contrabando para países vizinhos, onde o combustível custa duas a três vezes mais.

O problema não é novo. Em Maio de 2019, uma crise de abastecimento com longas filas nas bombas de Luanda e do Huambo levou a Sonangol a admitir, em comunicado, dificuldades no acesso a divisas para cobrir os custos de importação de refinados, agravadas pela elevada dívida de clientes industriais, responsáveis por cerca de 40% do consumo nacional.

Um produtor que importa o que consome

Apesar de figurar entre os maiores produtores de petróleo de África, Angola continua dependente da importação de combustíveis refinados, por insuficiência de capacidade de refinação instalada.

O país tem em curso um conjunto de projectos destinados a inverter essa dependência, entre os quais a nova refinaria de Cabinda, que entrou em operação em 2025 com uma primeira fase de 30 mil barris por dia, e a refinaria do Lobito, com capacidade projectada de 200 mil barris diários.

Até que essas unidades estejam plenamente operacionais, o abastecimento do mercado nacional continuará a depender da capacidade da Sonangol para pagar, em moeda estrangeira, o combustível que vende em kwanzas.

08/06/2026