Até ao ano passado, apenas 45% da população teve acesso à electricidade e 64% à água potável, enquanto o petróleo continuou a representar cerca de 90% das exportações do país, revelam os dados da Estratégia Angola 2040 – Energia e Água como Catalisadores da Industrialização: Estratégia Nacional para o Desenvolvimento dos Corredores Económicos (2026–2040), do Conselho Económico e Social de Angola (CES).
O diagnóstico identifica igualmente perdas elevadas nas redes de energia e água, reduzida capacidade de transformação industrial, custos logísticos elevados, acesso limitado ao financiamento, burocracia administrativa, fragilidades institucionais e baixa qualificação da mão-de-obra como factores que limitam a competitividade da economia. Não obstante, o acesso à electricidade e à água potável deverá aproximar-se da universalização até 2040, com taxas de cobertura de 98% e 95%, respectivamente, aponta o CES.
O documento apresenta um plano de transformação estrutural da economia, assente na expansão das infra-estruturas, na industrialização e na diversificação das exportações, num contexto em que menos de metade da população tem acesso à energia eléctrica e apenas 64% beneficia de água potável.
A estratégia estima que o Produto Interno Bruto (PIB) poderá crescer dos actuais 97 mil milhões de dólares, estimados para 2025, para um intervalo entre 300 e 400 mil milhões de dólares até 2040. Para sustentar este crescimento, o plano prevê investimentos acumulados entre 180 e 220 mil milhões de dólares, o aumento das exportações de bens para entre 150 e 200 mil milhões de dólares e a triplicação do investimento directo estrangeiro, para um intervalo entre 18 e 20 mil milhões de dólares.
O documento aponta ainda para a criação de 2,3 milhões de empregos formais e para o aumento da participação da indústria transformadora no PIB, dos actuais 11% para mais de 25%.
Entretanto, para responder a estes constrangimentos, a estratégia assenta em cinco eixos: universalização do acesso à energia, reforço da segurança hídrica, industrialização, desenvolvimento de seis corredores económicos e valorização do capital humano.
No sector da água, o plano prevê investimentos entre 24 e 32 mil milhões de dólares até 2040 para elevar a cobertura de água potável para 95% da população, aumentar o acesso ao saneamento básico para 80%, reduzir as perdas nas redes urbanas para menos de 20% e expandir as áreas irrigadas para mais de quatro milhões de hectares.
Na energia, a meta consiste em elevar a cobertura eléctrica para 98% da população, triplicar a produção de electricidade e posicionar Angola como exportador regional de energia limpa.
O documento sublinha que a concretização destas metas dependerá da execução das reformas estruturais e da capacidade de mobilizar o volume de investimento previsto ao longo dos próximos 15 anos. Entre os factores considerados determinantes para o sucesso da estratégia estão o reforço das instituições, a estabilidade macroeconómica, a inovação tecnológica, a qualificação dos recursos humanos e o fortalecimento do ambiente de negócios.
Jornal Valor Económico, 07/06/2026





