África do Sul adiciona o kwanza angolano ao sistema regional de pagamentos transfronteiriços

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O kwanza angolano tornou-se a primeira moeda, além do rand sul-africano, a ser incluída como moeda de liquidação no sistema regional de pagamentos em tempo real da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), anunciou nesta segunda-feira o governador do Banco Central da África do Sul (SARB), Lesetja Kganyago.

O sistema SADC-RTGS permite a liquidação em tempo real de transações transfronteiriças entre os 15 países do bloco regional e foi criado para apoiar o comércio e o investimento, substituindo acordos bancários correspondentes mais onerosos usados anteriormente. Desde o seu lançamento em 2013, o sistema liquidava transações exclusivamente em rand sul-africano, o que significa que a inclusão do kwanza marca a transição da plataforma para um sistema multimoeda pela primeira vez em mais de uma década.

Segundo dados do SARB, as transações comerciais e interbancárias entre Angola e os outros 14 estados da SADC totalizaram cerca de 3,77 mil milhões de dólares em nove moedas em 2025. A África do Sul respondeu pela maior parcela desse fluxo, perto de 2,99 mil milhões de dólares — cerca de 60% do volume de transações e 79% do valor total.

Falando numa conferência de imprensa em Pretória ao lado do governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, Kganyago descreveu a medida como uma demonstração prática da integração regional, afirmando que ela fortalece a conectividade financeira regional e mostra que a África é capaz de construir infraestrutura de mercado sofisticada e adaptada às suas próprias prioridades.

Informações adicionais do próprio comunicado do Banco Central mostram que a mudança foi formalizada quando Kganyago e Dias assinaram um acordo que permite a inclusão do kwanza. O SARB afirmou que a medida está alinhada com os objetivos do G20 para pagamentos transfronteiriços, de reduzir custos, aumentar a velocidade e melhorar a eficiência das transações internacionais. As autoridades destacaram que a liquidação direta em kwanza reduz a necessidade de conversão cambial, diminuindo os custos para os participantes e seus clientes, e informaram que já estão em curso planos para incluir outras moedas regionais, como o pula botsuanês.

Ao explicar a lógica por trás da liquidação em moedas locais, Kganyago observou que cada banco central pode fornecer liquidez na sua própria moeda em caso de escassez, algo que não seria possível se o sistema dependesse de uma moeda externa.

As autoridades angolanas fizeram questão de esclarecer o alcance prático da mudança. O governador do Banco Nacional de Angola sublinhou que a medida não significa que o kwanza passará a ser aceite como forma de pagamento nos outros países participantes, já que cada nação mantém a sua soberania monetária. Em vez disso, o mecanismo permitirá que empresas angolanas paguem parceiros comerciais noutros países membros diretamente em kwanza, através de bancos participantes.

O SARB planeia ampliar ainda mais o sistema: o Botsuana e Moçambique já estão a ser preparados para a integração das suas moedas, enquanto oito países manifestaram interesse em ligar os seus sistemas de pagamento instantâneo ao centro regional. O banco afirmou que já existe o enquadramento legal, técnico e operacional necessário para incorporar mais moedas à plataforma ao longo do tempo.

Analistas apontam que a mudança também pode beneficiar diretamente a moeda angolana, uma vez que um uso mais amplo do kwanza para além das fronteiras de Angola tende a torná-lo mais líquido.

Operado pelo SARB em nome dos bancos centrais da região, o sistema SADC-RTGS abrange atualmente 15 estados-membros — todos os membros da SADC, exceto as Comores — com até 89 bancos participantes. É uma das várias iniciativas em curso para modernizar os pagamentos transfronteiriços em África, ao lado do Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação (PAPSS), de âmbito continental, e do Protocolo sobre Comércio Digital da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA).

A reforma dos sistemas de pagamento foi um tema prioritário durante a presidência sul-africana do G20, com Kganyago a defender maior interoperabilidade e alinhamento regulatório na África Subsaariana. Os desafios são consideráveis: o custo médio das remessas pessoa-a-pessoa na região continua acima de 4%, bem acima da meta do G20 de reduzir o custo médio global para 1% até 2027.

28/07/2026