O sócio-gerente da Fazenda Áuria Machado, Domingos Alfredo Machado, acusou grandes grupos comerciais de dificultarem o crescimento da produção nacional em Angola, defendendo que interesses ligados à importação continuam a prevalecer sobre o incentivo à agricultura e à pecuária locais.
Em entrevista ao jornal Valor Económico, o produtor afirmou que o principal desafio da suinicultura angolana continua a ser o elevado custo da ração animal, sobretudo devido ao preço do milho e da soja, matérias-primas fundamentais para a alimentação dos suínos.
“Neste momento, o maior desafio é a alimentação dos animais. O milho e a soja estão extremamente caros e os produtores nacionais enfrentam dificuldades para adquirir esses produtos”, afirmou.
Segundo Domingos Machado, muitos produtores nacionais têm encontrado obstáculos para vender milho às fazendas locais, enquanto empresas comerciais continuam a privilegiar produtos importados.
“A produção nacional não lhes interessa e sabemos todos por que razão insistem na importação”, declarou, sugerindo que parte do negócio da importação está associado ao acesso a divisas.
O empresário afirmou ainda que grandes superfícies comerciais impõem condições consideradas desvantajosas aos produtores nacionais, incluindo prazos de pagamento entre 30 e 90 dias, o que fragiliza financeiramente as explorações agrícolas.
“As grandes superfícies não respeitam o nosso trabalho. Depois, os pagamentos não são feitos de imediato e os animais precisam de comer”, criticou.
Domingos Machado revelou que a Fazenda Áuria Machado optou por reduzir relações comerciais com algumas grandes cadeias de distribuição e privilegiar a venda direta ao consumidor, alegando falta de confiança nas práticas comerciais dessas empresas.
Apesar das dificuldades, o produtor garantiu que a fazenda continua a expandir a capacidade de produção. Atualmente, a unidade consome mais de 90 toneladas de ração por mês e opera com cerca de 770 matrizes, prevendo atingir entre mil e 1.200 matrizes até dezembro.
O responsável defendeu igualmente uma estratégia nacional mais coordenada para o desenvolvimento da suinicultura, incluindo apoio à produção de milho e soja, maior organização dos produtores e políticas públicas voltadas para a redução gradual das importações.
“O país pode reduzir significativamente a importação de carne suína nos próximos anos, mas é preciso uma estratégia clara, coordenação e apoio real ao produtor nacional”, afirmou.
Domingos Machado alertou ainda para o que considera ser uma excessiva dependência das importações alimentares, argumentando que Angola possui capacidade para aumentar a produção local e reduzir a saída de divisas.
“O nosso problema não é falta de competência nem de capacidade. O que falta é apoio estruturado e uma aposta séria na produção nacional”, concluiu.
05/06/2026





