Negócio do BFA ainda não está saldado: BPI espera receber o resto até dezembro

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O presidente do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, revelou esta segunda-feira que o banco português já recebeu metade do valor acordado na venda de parte da sua posição no Banco de Fomento de Angola (BFA), mas o negócio ainda não está completamente encerrado.

O restante deverá ser liquidado até ao final deste ano. As declarações foram feitas em Lisboa, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do primeiro trimestre de 2026.

Questionado sobre o estado do pagamento, o gestor foi directo:
“Recebemos até agora 50% do valor”, confirmando que o processo tem decorrido de forma gradual, tal como previamente acordado.

Para além do valor em falta, o BPI aguarda ainda o pagamento de dividendos do BFA referentes a exercícios anteriores.

João Pedro Oliveira e Costa sublinhou que o banco respeita a capacidade do sistema financeiro angolano em realizar transferências em dólares, justificando assim o carácter faseado do pagamento.

Recorde-se que em Setembro do ano passado o BPI — detido pelo grupo espanhol CaixaBank — vendeu em bolsa 14,73% do BFA por 103 milhões de euros, ficando com uma participação de 33,35% no banco angolano.

A operação enquadra-se numa recomendação do Banco Central Europeu (BCE) feita ao BPI desde 2017 para reduzir a sua exposição a Angola.

O BPI fechou o primeiro trimestre de 2026 com lucros de 133 milhões de euros, menos 2% face ao mesmo período do ano anterior.

A operação em Portugal pesou nos resultados, com os lucros a recuarem de 98 milhões de euros para 90 milhões de euros.

Do lado angolano, a contribuição do BFA para as contas do grupo BPI foi de 42 milhões de euros, representando uma queda de 9% em termos homólogos.

O BFA tem como principais accionistas a Unitel, controlada pelo Estado angolano, com 36,90% do capital, e o BPI, com 33,35%.

Líder Magazine, 05/04/2026