A ascensão dos partidos da extrema-direita nos últimos anos tem sido uma tendência notável da qual também Portugal faz parte. As características desses partidos são diferentes em função do seu contexto nacional. No entanto, convergem em particular no tema das migrações, onde é observável um discurso oposto ao multiculturalismo, xenófobo e anti-imigração, em que os fenómenos migratórios são representados como ameaças à economia, segurança e identidade nacional e é defendida a restrição de fronteiras.
O número de migrantes que foram viver permanentemente para países da OCDE diminuiu em 2025, mas ainda é historicamente elevado, somando 6,2 milhões de pessoas, anunciou a organização.
O relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) “Perspetivas da Migração Internacional 2026” mostra que a migração permanente para um dos 38 Estados-membros diminuiu 4% em 2025, relativamente a ano anterior, após três anos de fortes aumentos no período pós-pandemia da covid-19.
Normalmente, metade de toda a migração permanente para a OCDE concentra-se em cinco principais países de destino (EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha e Espanha), sendo que, em 2025, só os Estados Unidos representaram um quarto do total, com 1,4 milhões de novos imigrantes permanentes.
Em 2025, os países da organização registaram uma média de nove novos migrantes permanentes por cada 1.000 habitantes.
Em cerca de metade dos países da OCDE, a taxa variou entre cinco e 10 por cada 1.000.
A ausência de imigrantes na economia mundial teria impactos severos e levaria ao colapso de setores-chave em várias nações, com contrações fortes do PIB e desequilíbrios estruturais na Segurança Social. A imigração é atualmente um pilar fundamental para a estabilidade demográfica e laboral mundial.
A análise do Departamento do Censo constatou que os EUA estão caminhando para uma migração internacional líquida negativa, ou seja, uma situação em que mais pessoas deixam o país do que entram, algo que não acontecia desde 1971. De acordo com a análise da Brookings Institution citada, indica que já ocorreu em 2025.
A redução da imigração também tem efeitos moderados de contenção sobre o PIB e enfraquecerá o consumo em um valor estimado entre US$ 60 bilhões e US$ 110 bilhões ao longo dos próximos dois anos.
Na União Europeia, cerca de 13% dos trabalhadores em setores-chave (como saúde e limpeza) são imigrantes, percentagem que atinge 33% em setores de baixa qualificação.
Mais de 59 milhões de migrantes trabalham na região Ásia-Pacífico.
Sem imigrantes, as economias asiáticas mais industrializadas enfrentariam uma estagnação severa, colapsos setoriais e dificuldades em manter a competitividade global.
Imigrantes contribuem, em média, com cerca de 7% do PIB nos países africanos de acolhimento estudados, com variações significativas.
A sua saída causaria uma contração económica direta.
A imigração é um “motor de crescimento” no continente Africano.
Um cenário sem imigrantes resultaria em estagnação económica, menor arrecadação fiscal e maior pobreza, especialmente em regiões que dependem fortemente do comércio transfronteiriço e de trabalhadores estrangeiros.
Na sua generalidade a economia global colapsava com restrições políticas de imigrações.
Política de inclusão controladas são fundamentais no crescimento económico mundial.
Os cidadãos no momento da sua escolha dos líderes políticos fundamentalmente terão que refletir neste impacto na economia interna e externa futura.

* Docente Universitário
Consultor Financeiro
02/09/2026





