Caixa Geral Angola lidera lista dos bancos que mais pagam aos funcionários por cliente atendido

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O Caixa Geral Angola (BCGA) é o banco que mais desembolsa em remunerações por cada cliente atendido no sistema financeiro angolano, segundo uma análise que relaciona os salários médios pagos aos trabalhadores com a produtividade de cada instituição.

O indicador coloca o banco muito acima dos concorrentes, refletindo um modelo operacional distinto do praticado pela maioria das instituições de retalho.

Apesar da liderança do BCGA, os resultados mostram que os bancos com maior eficiência não são necessariamente os que menos pagam aos seus colaboradores. O Banco de Fomento Angola (BFA) e o Banco Angolano de Investimentos (BAI) destacam-se por conseguirem manter remunerações entre as mais elevadas do sector, ao mesmo tempo que apresentam níveis de produtividade superiores à média.

De acordo com uma análise publicada pelo jornal Valor Económico, que cruzou dados de recursos humanos e indicadores operacionais de dez instituições financeiras, o BCGA registou uma remuneração média anual de 31,38 milhões de kwanzas por colaborador em 2025. Com apenas 90 clientes atendidos por trabalhador, o banco desembolsou cerca de 348,7 mil kwanzas em salários e subsídios por cada cliente atendido.

O Banco Económico surge na segunda posição do ranking, com aproximadamente 38,9 mil kwanzas pagos por cliente atendido. Seguem-se o Banco Sol, com 27,6 mil kwanzas, o BIC, com 26,9 mil kwanzas, e o BNI, com 24,9 mil kwanzas.

Entre os bancos de maior dimensão, o BFA e o BAI apresentam os indicadores mais equilibrados. No BFA, cada trabalhador recebeu, em média, 31,18 milhões de kwanzas durante o ano e atendeu cerca de 1.405 clientes, resultando num custo salarial de 22,2 mil kwanzas por cliente. Já o BAI registou uma remuneração média anual de 27,71 milhões de kwanzas e uma carteira de aproximadamente 1.400 clientes por colaborador, equivalente a 19,8 mil kwanzas por cliente atendido.

Os dados sugerem que ambas as instituições conseguem combinar salários elevados com uma utilização mais eficiente dos recursos humanos, destacando-se em termos de equilíbrio operacional no sector bancário.

A análise evidencia ainda que o Millennium Atlântico continua a liderar em produtividade. Com uma carteira de cerca de 3,5 milhões de clientes e 1.514 trabalhadores, cada colaborador atendeu, em média, 2.361 clientes durante 2025, o maior número entre os bancos analisados. A remuneração média anual situou-se nos 15,49 milhões de kwanzas, o que representa um custo salarial de apenas 6,6 mil kwanzas por cliente atendido.

O BCI aparece na segunda posição em termos de clientes por trabalhador, com uma média de 1.749 clientes atendidos por colaborador e uma remuneração anual de 15,99 milhões de kwanzas, equivalente a cerca de 9,1 mil kwanzas por cliente.

Na outra extremidade da tabela encontra-se o Banco de Poupança e Crédito (BPC), que continua a apresentar a menor remuneração média anual por trabalhador entre os grandes bancos nacionais. Em 2025, os colaboradores receberam, em média, 4,55 milhões de kwanzas, enquanto cada trabalhador atendeu cerca de 838 clientes. O resultado traduz-se num custo salarial de aproximadamente 5,4 mil kwanzas por cliente, o mais baixo entre as instituições analisadas.

O estudo conclui que a comparação entre salários e produtividade oferece uma visão mais abrangente sobre a gestão dos recursos humanos no sector bancário. Embora o BCGA lidere destacadamente em remuneração por cliente atendido, são o BFA e o BAI que apresentam os indicadores mais equilibrados entre valorização dos trabalhadores e eficiência operacional.

17/06/2026