Mais de 78% das obras registadas no país estiveram paralisadas no primeiro trimestre de 2026

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Dados do INE divulgados pelo jornal Economia & Mercado revelam que apenas duas em cada dez construções acompanhadas no período permaneciam em execução.

Cerca de oito em cada dez obras acompanhadas em Angola durante o primeiro trimestre de 2026 encontravam-se paralisadas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados pelo jornal Economia & Mercado.

De acordo com o Inquérito de Acompanhamento de Edifícios em Construção (IAEC), entre Janeiro e Março foram registadas 6.132 obras em todo o território nacional. Deste total, 4.790 estavam paralisadas, representando 78,1%, enquanto apenas 1.342 obras, equivalentes a 21,9%, permaneciam em construção.

Os dados indicam ainda um aumento de 23,22% no número de obras visitadas em comparação com o quarto trimestre de 2025, quando haviam sido contabilizadas menos 1.156 construções.

No que se refere às obras em execução, a província do Cubango liderou o registo nacional com 195 empreendimentos activos, correspondentes a 14,56% do total. O Cuanza Sul ocupou a segunda posição com 162 obras (12,06%), seguido por Icolo e Bengo, com 144 construções (10,70%).

Em sentido contrário, Benguela destacou-se como a província com o maior número de obras paralisadas, somando 1.046 empreendimentos interrompidos. O Cubango, com 456, e a Huíla, com 452, completam a lista das províncias mais afectadas pela paralisação de obras.

Segundo os dados citados pelo Economia & Mercado, a maioria das construções registadas destinava-se à habitação. Das 6.132 obras observadas, 5.140 tinham finalidade habitacional, 553 destinavam-se ao uso próprio e 439 apresentavam utilização mista.

O levantamento revela igualmente que as construções familiares continuam a predominar no país. Do total de obras registadas, 5.257 foram executadas por famílias, enquanto 582 estavam a cargo de profissionais ou mestres de obra e 293 eram promovidas por empresas privadas.

Quanto ao destino das construções, 5.718 eram residenciais e apenas 414 não residenciais, abrangendo infra-estruturas como escolas, hospitais, escritórios, estabelecimentos comerciais, igrejas, hotéis e unidades industriais. Benguela liderou tanto no segmento residencial como no não residencial.

Relativamente aos materiais utilizados nas obras habitacionais, o betão e o ferro mantiveram-se como os principais componentes estruturais, presentes em 4.749 construções. Os blocos foram os materiais mais utilizados nas paredes, enquanto a torta de cimento predominou nos pisos. Nas coberturas, a chapa de zinco continuou a ser a solução mais adoptada.

As obras que permaneceram em actividade mobilizaram 3.702 trabalhadores durante o período analisado. Destes, 3.003 eram permanentes, 642 actuavam sob regime de subcontratação e 57 não recebiam remuneração.

Os custos médios mensais com mão-de-obra ascenderam a 83,4 milhões de kwanzas nas construções residenciais e a cerca de 66 milhões de kwanzas nas obras não residenciais, de acordo com o relatório do INE divulgado pelo Economia & Mercado.

16/06/2026