Economista defende maior flexibilidade fiscal para apoiar empresas em início de actividade

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O economista e docente universitário Gaspar Mateus João defende maior flexibilidade da administração fiscal angolana no tratamento das empresas, sobretudo na fase inicial de actividade, alertando que a actual pressão tributária pode contribuir para a morte prematura de muitos projectos empresariais.

Em entrevista ao jornal Expansão, o especialista considerou que a Administração Geral Tributária (AGT) deve adoptar uma abordagem mais equilibrada, com acompanhamento mais próximo das empresas recém-criadas.

Segundo o economista, a política fiscal precisa considerar as dificuldades enfrentadas pelos novos negócios, de forma a evitar que sejam inviabilizados logo no início.

“Se não tivermos contribuintes também não teremos onde ir buscar os impostos”, afirmou, defendendo que o Estado deve encontrar um ponto de equilíbrio entre a arrecadação fiscal e o crescimento do tecido empresarial.

Gaspar João alertou para o elevado número de empresas que surgem e encerram actividade pouco tempo depois, defendendo a realização de um estudo aprofundado sobre as causas dessa elevada mortalidade empresarial.

Na sua opinião, muitas empresas enfrentam dificuldades estruturais relacionadas com financiamento, ambiente de negócios e pressão fiscal.

“O número de empresas que são criadas e que acabam por morrer num curto espaço de tempo é grande. É preciso que se faça um estudo profundo e exaustivo sobre o assunto”, afirmou.

O economista entende que a administração tributária deve adoptar mecanismos de acompanhamento mais detalhados para as empresas em início de actividade, permitindo que estas tenham tempo para consolidar os seus negócios antes de enfrentarem todas as obrigações fiscais.

O especialista reconhece que existe fuga ao fisco no país, mas defende que nem todas as empresas devem ser tratadas da mesma forma.

“A fuga ao fisco existe e por isso não devíamos colocar todas as empresas na mesma balança”, disse, sugerindo uma análise mais detalhada para distinguir empresas que evitam pagar impostos daquelas que enfrentam dificuldades reais de sustentabilidade.

Para o economista, políticas fiscais mais ajustadas poderiam contribuir para fortalecer o sector empresarial, ampliar a base tributária e gerar mais empregos.

Na entrevista, Gaspar João também destacou que, embora tenha havido melhorias na criação formal de empresas, os desafios aumentam após o início das actividades, sobretudo em termos de financiamento e garantias exigidas pelo sistema bancário.

Segundo o especialista, a dificuldade de acesso ao crédito e as exigências de garantias patrimoniais continuam a ser um dos principais obstáculos para os empreendedores angolanos.

Gaspar João é professor universitário nas áreas de finanças empresariais e auditoria, consultor de negócios e autor de obras sobre petróleo e empreendedorismo.

03/03/2026