EUA reafirmam interesse no desenvolvimento estratégico do Corredor do Lobito

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Os Estados Unidos da América reafirmaram o interesse em acompanhar o desenvolvimento do Corredor do Lobito, considerado estratégico para o reforço da conectividade regional, integração económica e criação de novas oportunidades de cooperação entre os países da África Austral. A posição foi manifestada, esta terça-feira, pelo director do Gabinete de Análise para África do Departamento de Estado norte-americano, James Wolfe, durante uma visita à Empresa Portuária do Lobito, na província de Benguela.

Acompanhado por uma delegação da Embaixada dos Estados Unidos em Angola, James Wolfe conheceu o funcionamento das infra-estruturas portuárias, o desempenho operacional da empresa e os projectos de modernização e expansão em curso. O responsável norte-americano destacou o papel do corredor no estabelecimento de ligações comerciais e logísticas entre Angola, os países vizinhos e os mercados internacionais, numa altura em que a infra-estrutura regista um aumento da actividade ferroviária e do transporte de mercadorias.

Dados divulgados pela Lobito Atlantic Railway (LAR) indicam que a empresa prevê movimentar cerca de 400 mil toneladas de carga em 2026, contra aproximadamente 265 mil toneladas em 2025, o que representa um crescimento de cerca de 51 por cento. Desde o início das operações, em Janeiro de 2024, a concessionária registou um aumento contínuo dos volumes transportados, depois de ter movimentado cerca de 96 mil toneladas no primeiro ano de actividade.

O administrador da LAR, Ottoniel Manuel, defendeu esta semana, durante o Angola Hub Transporte e Logística Summit, em Luanda, que o Corredor do Lobito deve evoluir de uma simples infra-estrutura de transporte para um instrumento de desenvolvimento económico regional. Segundo o responsável, o trajecto ferroviário entre Kolwezi, na República Democrática do Congo, e o Porto do Lobito pode ser realizado em sete a oito dias, pelo menos 20 dias menos do que o percurso por estrada.

Durante a visita ao Porto do Lobito, James Wolfe reuniu-se com o Conselho de Administração da Empresa Portuária do Lobito, que apresentou informações sobre a actividade operacional, os investimentos realizados e as perspectivas de crescimento da infra-estrutura. O presidente do Conselho de Administração, Celso Rosas, considerou a deslocação uma oportunidade para reforçar o diálogo institucional e aprofundar as relações de cooperação e as parcerias estratégicas em torno do desenvolvimento do corredor.

A LAR, responsável pela operação ferroviária de mercadorias entre o Lobito e a fronteira com a República Democrática do Congo e pela exploração do Terminal Mineiro do Porto do Lobito, opera ao abrigo de uma concessão de 30 anos que inclui a modernização, manutenção e gestão de cerca de 1.300 quilómetros de linha férrea. A empresa emprega actualmente cerca de mil trabalhadores, dos quais 97 por cento são angolanos, e estima que a sua actividade contribua para aproximadamente dois mil empregos indirectos.

30/09/2026