O empresário angolano Isaac Cangundo defendeu a criação urgente de uma bolsa de mercadorias especializada em cereais, argumentando que a produção nacional continua incapaz de acompanhar o aumento do consumo de produtos angolanos que o Governo procura impor, nomeadamente de arroz e de milho.
A proposta consta de um artigo de opinião publicado na Revista Líder Magazine, no qual o autor sustenta que o Executivo tem procurado, através de medidas administrativas, elevar o peso da produção nacional no consumo interno, mas a oferta interna não tem capacidade para responder a essa procura. “Angola quer consumir mais produção nacional, mas ainda não produz o suficiente”, escreve Cangundo, apontando as quebras de abastecimento de arroz e milho registadas no mercado como sinal dessa insuficiência.
O artigo recorda que o Governo já exige aos importadores licenciados de arroz que garantam que pelo menos 30% dos volumes comercializados tenham origem nacional, regra recentemente alargada também ao milho. Para o empresário, porém, esta medida isolada não resolve o problema de fundo da baixa produção.
Cangundo aponta o financiamento como o principal obstáculo ao crescimento da produção nacional, referindo que a maioria dos produtores não consegue aceder à banca devido às exigências de garantias, aos custos elevados dos juros e à falta de instrumentos financeiros ajustados à realidade agrícola.
É para colmatar esta lacuna que o empresário propõe a criação de uma bolsa de grãos, um mercado especializado que ligaria produtores, compradores, processadores, importadores e instituições financeiras. De acordo com o artigo, este mecanismo permitiria a realização de contratos de compra antecipada e de operações de troca directa (barter), além de aumentar a transparência de preços e do mercado, facilitando o financiamento da produção através da maior certeza contratual proporcionada pelos contratos antecipados.
Como benefícios da criação desta bolsa, Cangundo aponta a criação de emprego, o alargamento das áreas cultivadas, o aumento da capacidade de processamento de arroz e milho, a melhoria da logística agrícola e a redução da dependência de importações, defendendo que o mecanismo deveria tornar-se uma prioridade da política económica nacional.
24/09/2026





