Mais de metade de todo o investimento directo angolano no exterior está concentrado em Portugal. Em 2025, o stock de capitais angolanos no país europeu atingiu 3.096 milhões de dólares, o equivalente a 56% dos 5.445 milhões de dólares que Angola mantém investidos fora das suas fronteiras.
Segundo o jornal Expansão, que cita cálculos efectuados com base no relatório do Banco Nacional de Angola (BNA) sobre a Balança de Pagamentos e a Posição do Investimento Internacional, o investimento angolano em Portugal cresceu 34% face a 2024, quando se situava em 2.306 milhões de dólares. O aumento ocorreu apesar de a carteira global de investimentos angolanos no exterior ter registado um crescimento de apenas 120 milhões de dólares no mesmo período.
A publicação refere que os investimentos da Sonangol, através do reinvestimento de lucros obtidos em Portugal e noutros mercados, bem como a aquisição de imóveis numa fase marcada pelo aumento da migração de angolanos para aquele país europeu, ajudam a explicar a forte subida do stock de investimento.
Os dados do BNA mostram que Portugal reforçou ainda mais a sua posição como principal destino do capital angolano no estrangeiro, muito à frente das restantes jurisdições identificadas pelo banco central, entre elas Maurícias, Ilha de Man, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.
O relatório revela ainda que o stock de investimentos classificados na categoria “Outros” diminuiu 733 milhões de dólares entre 2024 e 2025, praticamente o mesmo montante que o investimento domiciliado em Portugal aumentou no período, cerca de 790 milhões de dólares. Nas Maurícias, o stock cresceu 70 milhões de dólares, enquanto na Ilha de Man registou uma redução de 4 milhões.
O Banco Nacional de Angola não detalha a composição destes investimentos nem identifica os países abrangidos pela categoria “Outros”, que representa cerca de 23% do stock total de investimento angolano no exterior. Esta limitação impede uma análise mais detalhada sobre o destino dos capitais angolanos e os factores que explicam a redistribuição do investimento entre diferentes jurisdições.
O investimento directo no exterior pode assumir várias formas, incluindo participações em empresas, aquisição de imóveis, concessão de empréstimos, créditos comerciais ou compra de títulos de dívida emitidos por entidades estrangeiras.
30/06/2026





